Isso vai mudar a sua visão sobre a música no futuro.
Recentemente, a indústria musical passou por uma grande transformação. A Warner Music, uma das maiores gravadoras do mundo, fez um acordo de licenciamento com a Udio para criar uma nova plataforma de música com inteligência artificial (IA).
Dias depois, a Warner também firmou um acordo com a Suno, um gerador de música de IA que já conta com mais de 100 milhões de usuários e uma avaliação de 2,45 bilhões de dólares.
Agora, todas as grandes gravadoras têm parcerias semelhantes com plataformas de IA, algo que era impensável há apenas um ano.
Na semana do Grammy de 2026, o assunto mudou bastante. O CEO da Recording Academy, Harvey Mason Jr., mencionou que todos os produtores que ele conhece usam IA em seus estúdios. Ele até comentou que a regulamentação sobre IA é um dos maiores desafios do seu trabalho.
Muitos artistas desejam utilizar essas ferramentas, mas não querem que seu trabalho seja explorado sem permissão ou pagamento justo.
A medida em que a IA se torna comum nos estúdios, esses acordos revelam problemas em relação à atribuição, propriedade e compensação que não são resolvidos apenas com a licença.
Os acordos de licenciamento não se adaptam ao que vem a seguir
Licenciamento é eficaz quando a criação é centralizada, com resultados bem definidos. Entretanto, a música gerada por IA é complexa e dinâmica, com remixes e colaborações ocorrendo a todo momento.
Um único tema musical pode passar por várias ferramentas e produtores antes de chegar ao público.
Após o acordo com a Suno, surgiu um problema. Eles mudaram a política de direitos, e agora afirmam que os usuários “geralmente não são considerados proprietários” de suas criações, mesmo após pagar pela licença.
Esse é um sinal de que a regulamentação vigente não consegue compreender a realidade do mercado atual.
O verdadeiro conflito é sobre atribuição
A discussão em torno da IA e da música não é sobre a substituição de artistas, mas sim sobre a dificuldade em rastrear quem cria o quê e quem deve ser pago.
Quando se perde a noção de quem produz o que, o dinheiro deixa de chegar a quem realmente merece. Isso quebra a confiança na indústria, mesmo com licenças corretas.
O mesmo ocorreu com o streaming: enquanto deu acesso à música, deixou os artistas perdidos sobre os fluxos de valores.
A Lei NO FAKES, apresentada novamente no Congresso em abril de 2025, busca proteger as propriedades geradas por IA, mas age apenas após o problema ocorrer.
Sem sistemas claros, a abertura na criação musical pode se tornar uma exploração para os artistas.
Infraestrutura pode evitar disputas
Os contratos inteligentes podem garantir que os pagamentos de royalties sejam feitos automaticamente. Por exemplo, numa banda, assim que uma canção é tocada, cada membro recebe sua parte sem atrasos.
Com o uso da tecnologia blockchain, é possível registrar a propriedade das músicas durante todo o seu percurso nas plataformas.
O sistema atual não possibilita isso. Muitas vezes, os créditos são perdidos, resultando em atrasos nos pagamentos.
Com a infraestrutura correta, a criação pode fluir livremente, permitindo que artistas compartilhem suas obras sem se preocupar com a perda de direitos.
A janela para acertar está se fechando
A produção musical com auxílio de IA já é a norma, e a indústria precisa decidir: continuar com regras ultrapassadas ou reestruturar a forma como a música é criada e compartilhada.
O acordo entre Suno e Warner é um bom começo, mas não resolve tudo.
Os desafios não vêm da IA em si, mas dos sistemas que tentam controlá-la. A indústria precisa estabelecer estruturas que torne os pagamentos tão fluidos quanto a criação musical.
Se realmente estamos entrando em uma nova era musical, é hora de construir sistemas que confiêm nos criadores e tornem essa confiança uma realidade desde o início.
Fonte original: https://cointelegraph.com/news/ai-music-blockchain-infrastructure?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound. Conteúdo adaptado pela equipe do GraficoCrypto.